
Um desejo louco me absorve de repente... Um cheiro de carne, de suor, um cheiro vagabundo de vinho e estações de subúrbio. Coisa mais instintiva que me envolve, que derruba e abate. E caio do sonho cheia de teias, de veias, de intenções maliciosas e um latejar na carne que machuca, que oprime, que cheira a mangue, a nomes feios a estupro e a terra. Um cheiro sacana de coisa mais gostosa, ordinária, primitiva, mais sem entender... E deixo que cresça minha vontade... Meus demónios bruxas e dragões abrem caminho e me esquentam o corpo todo, e nem querem saber de alma, enquanto sinto o corpo molhar, como um poço caudaloso e limpo, como raiz que cresce e se estende por dentro da terra quase escondida, que arde, que queima, que grita, que quer...
Somos mulheres e as vezes a meia noite e meia um silencio com um gosto doce, nos abraça e nos deixa assim, com a boca cheia de babas e vontades, um corpo malicioso que queima encolhe e quer se soltar, e então abrimos braços, pernas e espaços e pedimos a todos os anjos, para que não estejamos sós
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